Noite adentro recita um Pai Nosso,
solitária se apega a Virgem Maria.
Piedosa clama por todos os santos
para que em seu sono reine a calmaria.
Passa horas tocando as contas do terço,
recita de cor trechos do livro sagrado.
No leito de viúva, vestida de negro,
imaculada mortalha lhe protege do pecado.
Mas eis que do nada afloram os sentidos
rompendo os grilhões da roupa em retalhos.
Agora faz-se de puta, foi-se o faz de conta.
Rompe-se a casca, desperta o prazer reprimido.
Seus olhos reviram em uma dança indecente,
suas coxas lentamente se abrem como uma cortina,
e as mãos traçam em seu sexo carícias suaves
que úmido anseia o penetrar de um falo ardente.
Expande-se o prazer, que vai se consumindo no gozo.
entre gemidos, gritos e até mesmo no choro.
Ela não é mais puritana nem casta e quer mais
navegar num orgasmo que não termine jamais.
Tibor Wonten (2014/2015)
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