Na boca o cínico sorriso
revela o verme escondido
nas entranhas da alma negra
de um homúnculo sórdido.
Protejo meu pescoço do bote
da corda viva dos enforcados
revestida de cacos de vidro
enfeitada com arames farpados.
Sopraram nos meus ouvidos
várias verdades inconvenientes
sobre a turba de penitentes
que ousam ser seus soldados.
Defendem com unhas e dentes
a soberba de um rei imoral
que julgam ser um deus imortal
mas não passa de reles intendente.
No alto do altar sacrificam
cordeiros, pombas e ovelhas
rasgando seu peito com navalhas
oferecendo o coração a seu amo.
São todos infames covardes
que te apunhalam pelas costas
encobertos por demônios malditos
protegidos em seus próprios infernos.
Mas nunca existirá um mal
que dure toda eternidade
pois tronos manchados de sangue e pús
nunca ficam para a posteridade.
Tibor Wonten, setembro de 2015.
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