sexta-feira, 11 de setembro de 2015

CORVO

Novamente o corvo pousou em meus ombros
trazendo consigo o peso de intensa amargura.
Eis que tal fato provocou-me um assombro:
percebo agora que minha depressão perdura.

Ando a despertar morto para as coisas da vida
e sinto cá por dentro uma estranha melancolia.
A tristeza que me abate parece natural e infinda
sufocando aos poucos todas as gotas de alegria.

Ave de mau agouro pestilenta que não se move
que em mim permanece junta feito alma torta.
Que não respeita a dor alheia e nem se comove
agitando suas asas negras e fugindo pela porta.

Alegre faz questão de me punir a todo momento
maligna metástase de um intenso câncer letal.
Extrai do fundo de minha alma todo seu sustento
criatura parasita que me tortura e acalanta o mal.

É um eterno duelo travado entre a vida e a morte
entre a luz e as trevas eternamente inconciliáveis.
De um lado um homem que não enxerga seu norte
no outro um vil demônio de garras afiadas e ágeis. 

Tibor Wonten. setembro de 2015.


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