Observo tua velha fotografia desbotada
e esboços de poemas interrompidos
corroídos pela voracidade das traças:
papéis amarelados que um dia fizeram sentido.
Toco nas cartas e cartões postais antigos
que por mim tantas vezes foram revistos
na inútil procura de significados escondidos.
Enfrento meus fantasmas do passado.
O tempo arremessa o peso das lembranças.
Há arrependimento pelas palavras não ditas,
nos sentimentos que não puderam ser revelados.
No beijo tão esperado, mas nunca colhido,
nos corpos que o destino não conseguiu unir.
Pois aquele foi um tempo de vidas clandestinas
e não da conjunção das que se amavam.
De tudo restaram apenas impressões dispersas,
feridas profundas que permanecem abertas.
Tibor Wonten, março de 2015.
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