Morri quando completei um mês de idade.
A partir de então fui entregue ao purgatório
pelos mercadores das irresponsabilidades.
Um soturno campo de concentração
tornou-se meu lar por tempo indeterminado.
Meus sonhos e desejos eram contidos
por muros altos e arame farpado.
Vigiavam-me estranhos olhos turvos
dependurados na face dos tutores.
Sofri, cresci e sobrevivi
embora minha vida tenha se transformado
em uma imensa gangrena putrefata.
Agora minha alma é dor intensa.
Dia a dia piso um chão de cacos de vidro,
cacos de vida foi o que me restaram
ao fugir da masmorra que habitei.
Mas o preço pago foi alto:
fui rasgado em pedaços que não se costuram,
fragmentos de vida sem cor
carregados com o peso do rancor.
Tibor Wonten, abril de 2015.
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