O rei passa seu longo dia
ouvindo uma orquestra de ratos
enquanto bobos da corte lambem
a sola de seus sapatos.
No meio da mais sórdida alegria
os bajuladores saúdam seu dono
que sentado calmo em seu trono
observa as raposas em euforia.
Mas eis que alheios a tudo
menestréis tocavam alaúdes
enquanto um astrólogo surdo
previa o fim desse mundo.
Os carpinteiros cientes dos fatos
construíram mais de mil ataúdes
para depositar as raposas e os ratos
junto com o rei na data prevista.
Vai ser a vingança dos enjeitados
o delírio de todos os oprimidos
a alegria dos que foram rejeitados
o êxtase divino dos súditos.
Não restará pedra sobre pedra
ninguém mais ocupará as masmorras
o sangue azul vai jorrar sobre a terra
fertilizando o solo seco pelas trevas.
Tibor Wonten, Junho/Julho de 2015.
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