quarta-feira, 15 de outubro de 2014

BANQUETE DOS SUPLICIADOS

Todo ano eles comemoram seu dia
no mesmo mês, na mesma hora.
A carne é fresca e farta é a bebida
regada com discursos de despedida.
As mesmas cenas do mesmo melodrama
desfilam no espaço do anfiteatro.
O menestrel conduz a orquestra:
as mesmas músicas, os mesmos ébrios,
um coral de vozes que desafina.
Mas lá no fundo do fundo há o desgosto
um vazio profundo rasgado no peito
formalismo visível na infinidade de rostos
uma vontade incontida de não estar ali.
A mesa está posta, os convidados se atiram
rangem garfos, facas, pratos e copos
no banquete dos supliciados.
Conversas paralelas em forma de lamento
fatos banais, assuntos sem cabimento
e no final cada qual para o seu lado
pois amanhã é mais um longo e monótono dia
onde tudo teima e insiste em se repetir:
a eterna roda viva do sofrimento.


Outubro de 2014.

 

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